Antigo hacker revela como a equipa de investigação a crimes informáticos da Policia Judiciária (PJ) recorre aos seus serviços para obter (in)formação.

O perito, arguido num mediático processo do ano passado, contou ao Tugaleaks como os inspectores o contactaram para saber como efectuar testes de penetração (“penetration tests”), entre outras perguntas.

 

PJ contactava antigo hacker para pedir ajuda e dicas sobre criminalidade informática

 

“Comecei a ser contactado [por telefone] em Setembro ou Outubro de 2012, mais ou menos na mesma época em que fui constituído arguido por crimes informáticos”, explica o antigo hacker.
“Durante os cerca de 5 meses que duraram os contactos”, as perguntas dos inspectores visavam o mais básico mas também temas mais específicos.
“As primeiras perguntas referiam-se ao processo que tinha então em tribunal (crimes informáticos), talvez para se ‘ambientarem’ com o tema”, explica.

Depois de perguntas superficiais (i.e. “Existem muitos hackers em Portugal?”, “Que sites/fóruns usam para comunicar”, etc.), os inspectores começaram a pedir explicações mais técnicas (penetração, como funciona, como pode ser contornada/seguida).

 

O antigo hacker – a quem o Tugaleaks garante o anonimato por razões evidentes – nunca foi pago pela (in)formação técnica que terá dado aos homens da PJ, mas também não contribuiu, directa ou indirectamente, na identificação de outros internautas, piratas ou hackers.

A colaboração com a PJ acabou passados 5 meses porque o hacker “trocou de número” de telefone e desde ai “nunca mais fui contactado”.

“Todo o ser humano com a mínima inteligência sabe que a melhor forma de aprender ou clarificar-se sobre um assunto é definitivamente perguntando a outra pessoa mais à vontade [no assunto] para responder ou esclarecer”, reconhece a nossa fonte que lamenta no entanto “a pressão” de que foi alvo para “colaborar” com os inspectores.
“Acredito que existem mais como eu, que são contactados com mais frequência e que respondem por temer repercussões na justiça”, conclui a nossa fonte.

 

O Tugaleaks apurou que os inspectores na origem do caso pertencem à Brigada de Investigação de Criminalidade Informática. Mas desconhece a actual composição das equipas.

 

Inúmeras vezes o Tugaleaks tentou obter um comentário sobre este caso junto da Direcção Nacional da PJ. Mas, apesar de todos os contactos telefónicos e via correio electrónico (desde 3 de Junho), foi-nos impossível obter qualquer esclarecimento.

 

Se por acaso se encontra em idêntica situação, ou conhece alguém que também é alvo desde tipo de “colaboração”, por favor entre em contacto com o Tugaleaks.

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