O Tugaleaks tentou o processo que a Administração Interna iniciou para apurar responsabilidades ainda está a ser investigado. Quem atirou a primeira pedra?

14 de Novembro. Uma manifestação da CGTP com término na Assembleia da República viria a marcar uma noite de confrontos com a polícia e uma das manifestações mais polémicas e violentas dos últimos anos.

Passado um ano, o Processo que a Inspecção-Geral da Administração Interna instaurou para se apurar o que aconteceu, nomeadamente com a atitude da PSP, ainda continua a ser investigado.

O Subinspetor-Geral Dr. Paulo A. Ferreira, comunicou ontem ao Tugaleaks que “o processo referenciado encontra-se ainda numa fase totalmente sigilosa, de harmonia com as disposições conjugadas dos artigos 109.º e 62.º, n.º 1, da Lei 7/90, de 20 de fevereiro, pelo que se indefere o pedido de acesso ao mesmo”.

 

Um ano depois, inquérito à PSP na carga policial em frente à AR a 14 de Novembro ainda decorre

 

Já em Julho o Tugaleaks tentou aceder ao processo, que, na altura estava tanmbém vedado: “Informe-se que o processo em questão encontra-se em investigação em sede de processo de inquérito.
Considerando que ao processo de inquérito se aplicam as regras do processo disciplinar “tout court” entre elas a que contende com a natureza secreta do processo não nos é possível transmitir qualquer dado sobre o desenvolvimento das averiguações ou o requerido acesso ao mesmo”

Para Paula Montez, uma das pessoas que foi notificada pelo telemóvel pessoal que nem sequer estava em seu nome e posteriormente constituída arguida, não é claro quem atirou a primeira pedra, pois “pode ter sido qualquer um desesperado com a sua situação precária, com o desemprego, com a injustiça que não pune a corrupção, contra a polícia que protege essa casta de instalados causadores da nossa desgraça. Pode também ter sido algum infiltrado, não seria a primeira vez que se infiltram provocadores que sobem o tom e desafiam os “colegas”.

Quanto á teoria do que se passou naquele fim de tarde, Paula diz que “era óbvio que aquilo era para provocar qualquer coisa e não estou a falar do lado donde choviam as pedras. Tudo aquilo era suspeito, havia um clima no ar… os polícias nunca tinham antes ido preparados previamente com escudos, nem parecia normal que ali estivessem tanto tempo postos a jeito, como numa feira popular. Até velhinhos atiraram pedras. Eu gosto de tirar fotos e tenho fraca pontaria, a não ser para captar o momento, mas aquilo eram pedras a mais, era muito tempo a levar com pedras, só pode ter sido uma ordem cruel vinda de cima para os testar, para os humilhar perante o povo e lhes mostrar na pele que o povo não gosta deles, que a cena dos abraços foi apenas um desvario para vender jornais”.

Paula espera “que esse processo vá até ao fim e que a sejam atribuídas responsabilidades pela manobra extremamente perigosa para as pessoas que estavam naquele momento da carga na praça porque poderiam ter havido muito mais vítimas e mesmo vítimas mortais”.

 

Já David Libertário, um dos acusados no processo, afirmou na altura ao Tugaleaks que “mentiram na hora no local nos agentes que efectuaram a detenção, mentiram sobre o que se passou, chegaram ao cumulo de nos autos dizer que foi pessoas X [a deter o individuo] e no julgamento dizerem o contrario e a juíza nem os questionou e ainda diz que responderam com calma e segurança”, versão que mantém. Diz ainda que se fala “sempre à volta da PSP e do processo e do tribunal, está na hora do discurso mudar e se falar de outras coisas. de razões e de ideias”

 

 

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