Um bom documentário pode ajudar a transformar o mundo num lugar melhor. Os documentários ajudam-nos a compreender melhor a natureza do mundo que nos rodeia, a descobrir verdades outrora ocultas e a contar “o outro lado” da história de personalidades como Edward Snowden ou Mikhail Khodorkovsky. São acima de tudo um instrumento político, que quando usado para o bem pode cruzar a fronteira da sétima arte e tornar-se em verdadeiro activismo social. Se gosta de estar atento às coisas em que a maior parte das pessoas não repara, principalmente quando estas envolvem corrupções políticas e institucionais, então tem mesmo que ver estes 4 documentários.

Zero Days

Sob direcção do genial e prolífico Alex Gibney, Zero Days é um documentário que conta a história verdadeira do STUXNET, o primeiro vírus informático produzido por uma instituição governamental para ser utilizado como uma arma de guerra. Expõe de forma convincente a natureza de um programa secreto levado a cabo entre os Estados Unidos e Israel, sob a direcção conjunta da NSA e da Mossad. Com vários depoimentos contados na primeira pessoa, Zero Days é o primeiro documentário a abordar de forma extensiva o desenvolvimento do STUXNET e a identificar os responsáveis por detrás do seu desenvolvimento. Foi lançado em 2016.
Por que é importante? Numa sociedade onde a tecnologia conhece cada vez menos limites, Zero Days é uma introdução essencial ao pouco explorado tópico da ciber-guerra. Nações milionárias como os Estados Unidos possuem actualmente todos os recursos necessários para construir armas digitais que podem influenciar de forma directa a segurança de nações rivais. Zero Days explora as possibilidades praticamente ilimitadas deste tipo de arma e expõe de forma surpreendente a sensível natureza da segurança interna de países menos poderosos.

13th

Um documentário essencial que faz parte da grelha de programas da Netflix, 13th foi dirigido pela norte-americana Ava DuVernay e venceu o BAFTA de melhor documentário em 2017. Pouco mais de 1 hora é suficiente para que DuVernay realize um impressionante sumário da história da escravatura nos Estados Unidos. Uma história que, como 13th demonstra, está muito longe de estar terminada. O foco central do documentário é o actual sistema prisional dos Estados Unidos, um país onde vive 5% da população mundial, mas em que estão 25% de todos os prisioneiros do mundo. A história impressionante de 13th alarmará mesmo os espectadores menos impressionáveis.
Por que é importante? Ainda que longe de Portugal, os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo. Os permanentes crimes raciais que foram impostos pelo sistema legal americano não dizem apenas respeito aos cidadãos norte-americanos, mas a qualquer ser humano. Na América, os afro-americanos e outras minorias continuam a estar sujeitos a uma exploração contínua e descarada que foi colocada em prática logo após o final da Guerra Civil. Não estará na hora de dizer chega?

O Caso Hammarskjöld

Este documentário é tão impressionante que mesmo as pessoas por trás da sua produção, Mads Brügger e Göran Björkdahl, não puderam prever a dimensão das suas descobertas. Começa por abordar o misterioso caso de Dag Hammarskjöld, um ambicioso secretário-geral das Nações Unidas que foi assassinado em África em 1961. As investigações de Brügger e Björkdahl acabam por desvendar uma inacreditável história que, não fossem as convincentes provas, poderia ser confundida com uma imaginativa teoria da conspiração. Lançado em Portugal em Novembro de 2019, este documentário vai levá-lo numa viagem alucinante pelo mundo da espionagem internacional e do negócio dos mercenários em África.
Por que é importante? O crime violento que ditou a morte de Dag Hammarskjöld pode ser um mistério ignorado por muitos, mas revela detalhes que nos deixam a considerar se vivemos mesmo num mundo semelhante a um filme de espiões. Enquanto secretário-geral das Nações Unidas, Dag Hammarskjöld lutou contra tudo e contra todos pela promoção da independência financeira das ex-colónias africanas. A sua determinação e humanitarismo estiveram muito provavelmente na origem da sua morte precoce.

Freakonomics

Para aliviar um pouco o ambiente sem perder o fio condutor, Freakonomics é o documentário perfeito. Baseado num livro escrito por Steven Levitt e Stephen Dubner, este documentário explora uma série de histórias que tentam encontrar a verdade profunda por detrás de fenómenos aparentemente banais como as regras do poker, os nomes que damos aos nossos filhos, ou de que modo podemos incentivar crianças a obter melhores resultados escolares. Realizado num tom descontraído e muitas vezes cómico, Freakonomics é particularmente interessante em dois dos seus segmentos. O primeiro explora de que forma as leis pró-aborto dos anos 70 influenciaram a diminuição “milagrosa” da criminalidade dos Estados Unidos no início da década de 90. O segundo, realizado pelo supracitado Alex Gibney, expõe os contínuos casos de corrupção que assolam o o desporto tradicional japonês do Sumo.
Por que é importante? Freakonomics pode ser mais ligeiro do que os restantes documentários nesta lista, mas promove um pensamento científico e imparcial, ajudando o espectador a olhar para diversos assuntos de forma mais crítica e informada. Expõe, além disso, várias histórias importantes de grande interesse político-económico.

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