Angra do Heroísmo é um meio pequeno onde todos se conhecem. Aparentemente, os agentes visados no vídeo divulgado no Tugaleaks tomaram interesse para estes cidadão.

Dia 5 de Novembro foi o dia da Marcha das Mil Máscaras. Várias pessoas saíram à rua, num evento que se propagou mundialmente por mais de 300 cidades. Em Lisboa, reuniram-se alguns dos membros dos Anonymous Portugal em frente ao Terreiro do Paço.

Mas como nem sempre se podem juntar todas as pessoas no mesmo sítio, dois elementos dos Anonymous decidiram encontrar-se no Solar de Madre de Deus em Angra do Heroísmo, que é onde fica o Representante da República da Região Autónoma dos Açores. Estes dois indivíduos foram posteriormente abordados por um agente da PSP, que chamou mais reforços, para os poderem identificar.

 

PSP

 

No vídeo é possível ver um agente da PSP a deitar uma mochila ao chão e, no final do vídeo, um agente a dizer que que se não parar de filmar o telemóvel “vai voar com o cara***”

Cidadão queixa-se de intimidação

No passado Domingo, pelas 8:00, numa estação de serviço, o cidadão encontrou-se com os dois agentes.

Um dos agentes alegadamente esteve perto do visado e indicou “obrigado por partilhares o vídeo” ao que o cidadão respondeu “não fui eu que o publiquei”, acrescentando “vocês nem deviam estar a falar comigo, pelo que sei há diligências internas”.
De seguida informou o agente que ia ao posto para falar com comandante pois não gostou da abordagem dos agentes.

Pelas 8:30 foi solicitado pelo comandante, já no posto, que seria apenas possível analisar o pedido por escrito. Quando estava a sair, disse ao comandante que “dissesse aos colegas que não me iriam intimidar”

Quando saiu do posto, os dois agentes estavam à espera dele. Um dos agentes pediu os documentos da viatura e foi feito o vulgo “teste do balão”. O visado não verificou qualquer operação stop ou qualquer carro a ser “inspeccionado” além do dele, naquele momento.

 

 

O Tugaleaks sabe que este cidadão está a preparar uma queixa que poderá entregar no Ministério Público contra os dois agentes.
Obtivemos ainda a identidade dos dois agentes que, por reserva de privacidade, não iremos divulgar.

Tentámos ainda contactar a PSP para comentar esta situação, mas até ao momento não obtivemos qualquer resposta.

 

ACTUALIZAÇÃO 20:15:

A PSP respondeu ao nosso pedido, num e-mail que transcrevemos na totalidade:

A PSP agradece o  contacto e informa V. Ex.ª  que a  situação ocorreu no sábado, 09 de novembro de 2013 e não no domingo. Permita-nos referir que os Agentes da PSP, na área da sua competência, são livres de circular/patrulhar onde considerem eficaz e visível, sendo que a segurança pública é um ato de contínua vigilância, observação e atuação. Não deve o Sr. Rui Cruz ou qualquer outro cidadão de pleno direito, sentir-se inquieto ou ameaçado na presença da PSP, antes pelo contrário.

Por certo compreenderá também, que a conduta dos Agentes foi vigilante, prudente e preventiva pois, ao se preocuparem com o cidadão abordado, que estava num estado alterado, podendo induzir a um eventual estado alcoólico, precaveram a possibilidade de vir a ter um acidente. Entenderá também que qualquer condutor pode ser fiscalizado pela PSP, quando e onde considerarmos. Ou seja, não tem haver operação de fiscalização rodoviária para que tal aconteça pois são consequências da nossa missão diária.

A alegada pressão que refere por parte dos Polícias, assente nos testemunhos do cidadão fiscalizado não foi por nós detetada.

Todas as outras alegações e perguntas, por estarmos a averiguar internamente, não nos pronunciaremos, estando os processos a seguir os seus trâmites de averiguação.

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