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Veterinário Municipal abateu o cão sem esperar os dias legais para o poderem ir resgatar ao canil. Dona do cão contou-nos como o “carniceiro” abateu o seu amigo.

A história repete-se mais uma vez, crueldade contra os animais por, perante a lei, serem considerados meros objectos. Depois do cão que foi atado à linha do comboio chega-nos uma história do norte de Portugal com os mesmos contornos sombrios.

 

Cão “assassinado” pelo Veterinário Municipal de Sever do Vouga

 

Na passada sexta feira, em Sever do Vouga, distrito de Aveiro, ao fim da tarde, era recebida a chamada que iria confirmar que o cão, fiel amigo de Dina Coutinho, tinha sido feita a eutanásia no local.
Dina, escriturária de 50 anos, dava comida ao Amílcar há mais de dois anos. O cão estava na rua, mas era diariamente alimentado. Conta, na página da Associação dos Amigos dos Animais de Albergaria-a-Velha, que o seu fiel amigo tinha sido “assassinado no local onde o apanharam” enquanto ela trabalhava.

Contactou a vereadora , Engª Elisabete, responsável pela recolha e destino a dar aos animais,.que não sabia de nada e que lhe ligava posteriormente. Passaram-se horas… e também 20 telefonemas. Por fim, atendeu e explicou que não conseguia contactar o Veterinário Municipal. Como Sever do Vouga não tem Canil Municipal mas sim um protocolo com o Canil de Abate de Ílhavo, tentou também em vão procurar se o Amílcar lá estava mas aparentemente, embora exista protocolo, Dina descobriu que nunca já tinha entrado qualquer cão de Sever do Vouga.

 

Passou-se o fim de semana, doloroso, e segunda feira esta amiga dos animais esteve das 9h até às 16h30 no edifício da Câmara Municipal à espera da resposta a uma simples questão: onde estava o Amílcar?

 

Conta ainda que “vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance e mesmo o que não esteja para que estas “pessoas” sejam punidas e para que não continuem a matar cruelmente sem dó nem piedade animais inocentes”. Ao Tugaleaks, através do seu Facebook, contou que irá apresentar queixa à GNR local e que escreveu ao Presidente da Câmara.

 

Alegadamente o abate do animal no local foi feito porque o carteiro tinha sido mordido. Embora tal acto não justificasse o abate imediato e contrário à lei, o Tugaleaks tentou entrar em contacto com a Câmara Municipal, tendo falado com a secretária do Presidente da Câmara e tendo efectuado pedido para receber, entre outros documentos, o documento da queixa remetido pela GNR, PSP ou CTT ao município. Não obtivemos resposta.

O protocolo referido, segundo foi mostrado a Dina Coutinho, estava apenas assinado pelo Presidente da Câmara e não pela outra parte e era datado de Novembro de 2012. Frisou esta informação à vereadora que a atendeu, mas não foi confirmado que o protocolo era inválido.

 

Cão “assassinado” pelo Veterinário Municipal de Sever do Vouga

 

O que diz a lei…

A Portaria n.º 1427/2001 de 15 de Dezembro define, no seu artigo 18º, a forna como os animais capturados devem ser tratados, conforme fazemos citação:

Artigo 18.º
Destino dos animais capturados

1 – Os cães capturados nos termos do artigo anterior serão obrigatoriamente submetidos a exame clínico pelo médico veterinário municipal, que do facto elaborará relatório síntese e decidirá do seu ulterior destino, devendo os animais permanecer no canil ou gatil municipal durante um período mínimo de oito dias.
(…)
4 – Nos casos de não reclamação de posse, as câmaras municipais deverão anunciar, pelos meios usuais, a existência destes animais com vista à sua cedência quer a particulares quer a entidades públicas ou privadas que demonstrem possuir os meios necessários à sua manutenção, nomeadamente respeitando o disposto no artigo 4.º do Decreto n.º 13/93, de 13 de Abril.

 

Segundo contou esta amiga dos animais, o cão foi “assassinado” no local.

Até ao momento, a Câmara Municipal não emitiu qualquer explicação sobre esta situação apesar dos nossos contactos.

 

ACTUALIZAÇÃO 09-08-2013 10h50: corrigido o nome do veterinário

Comentários

13 Comments

  1. Tenho pena do animal que foi abatido mas não consigo simpatizar com esta senhora porque, segundo percebo da notícia, este cão estava na rua e era alimentado por ela, logo esta senhora não pode alegar posse do animal, se quer ser dona deve para além da comida fornecer abrigo e vacinas em dia, deve ainda responsabilizar-se pelos danos cometidos pelo seu cão, se esta senhora quer responsabilizar alguém deverá primeiro responsabilizar-se, a começar por questionar o carteiro sobre quanto lhe deve pelo facto de ter sido mordido pelo cão que alega ser seu. Pobre ser vivo que viveu sem conhecer um verdadeiro dono (leia-se companheiro)…

    1. MAS UM ANIMAL SÓ MERECE ESTAR VIVO SE TIVER UM “DONO”????
      acho que ha qualquer coisa em falta dentro do seu crânio….

  2. Será que desconhecem o conceito de Animal Comunitário previsto na Resolução da AR 69/11? Acresce que o Amílcar ,segundo reportagem da Sic não mordeu o carteiro, simplesmente ladrava e corria atrás da sua mota.

  3. Muito já foi dito sobre este caso do cão “Amilcar” e já toda a gente com “meio palmo de testa” percebe que este é mais um caso gritante de um acto grosseiro, incompetente e perfeitamente ILEGAL de, um senhor, que exactamente como outros colegas seus de profissão mais não fazem do que insistirem em fazer o contrário do que as suas competências, obrigações e deontologia profissional (que nunca percebi bem qual é) assim o exigem. Quem verdadeiramente é sensível, respeita e ama os animais, aqui apelo para que todos juntos não deixemos esquecer mais este caso vergonhoso. Pois isso, é o que estes senhores e outros senhores mais querem que a sociedade faça. Boa é a cadeirinha de conforto…

  4. Bem, li esta notícia, sou de Sever do Vouga, tenho 4 cães, 6 gatos, tudo dentro de casa, mas acima de tudo sou uma “amante” dos animais, pois grande parte da minha vida me dediquei à causa. Contudo, por muito que me conviesse culpar a dona do cão, a câmara municipal, a dita vereadora, não posso.. porque sejamos francos, a senhora dava comer ao Amílcar na rua?! A senhora tinha o cão identificado? (com coleira, nome, nr de telefone?).. então à senhora Dina, não lha adianta ir para a porta de lado nenhum, se a senhora estima o seu cão meta-o na sua casa, um cão é um companheiro, não é o sem-abrigo a quem dá esmola diáriamente.. mas acrescento, que à parte da (não) razão da senhora Dina, a única anomalia cometida é mesmo a da sra vereadora, se o que foi escrito estiver correto.
    No entanto volto a dizer, quem quer cuidar e estimar, tem que se precaver.

  5. Olhe José, cadeira de conforto são aqueles que tem paleio mas é atrás do computador. eu lamento mesmo a morte do animal, não meto em causa as palavras da senhora Dina Coutinha, mas também não admito a sua total veracidade.
    Boa noite

  6. Todos falam mas na realidade quase ninguem conhece os factos, comentar ou criticar é o que todos fazem.
    Quando um animal é trazido de algum sitio onde aparece, e parece estar abandonado, o que se deve fazer é:
    – arranjar-lhe um abrigo, sem que cause quisquer prejuizo á população.
    -proceder á sua vacinação
    – registalo, e proceder aos demais encargos que se deve ter com o mesmo.
    Neste caso em especial, nenhum destes casos acima mencionados tem a ver com o animal em causa, porque o mesmo foi trazido pela senhora e abandonado á sua sorte refugiando-se na casa de alguém que por caridade o alimentava, mesmo desconhecendo o seu nome e o seu dono (a) ficticio

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