Chama-se Carvalho de Jesus e o seu “crime” foi perturbar os trabalhos da Assembleia da República.

O caso aconteceu em 11 de Março de 2015, pelas 17h30, quando, terminada a intervenção de Passos Coelho, Carvalho Jesus proferiu algumas palavras após o discurso de Passos Coelho.

Esta atitude valeu-lhe um crime de perturbação de funcionamento de órgão institucional que pode levar à prisão durante quase dez anos.

Este é um crime “contra a segurança do estado” e por isso julgado por tribunal colectivo.

Foi com mais de uma hora de atraso – à semelhança de tantos outros atrasos na justiça – que no passado dia 20 de Junho Carvalho Jesus foi ouvido por um colectivo de juízes.

Soldador de profissão, disse que não lhe tinha sido mostrada qualquer folha A4 onde lhe era indicado os crimes pelos quais podia vir a ser punido e que a sua acção foi espontânea, não premeditada.

 

“Situações destas acontecem frequentemente”

Os agentes da PSP N. P., M. P. e M. L. disseram que “situações destas acontecem frequentemente”, fazendo referencia ao descontentamento da população com o anterior governo.  Já em 2013 o Tugaleaks tinha noticiado que Ivo Margarido tinha sido constituído arguido pelo mesmo motivo, mas nunca chegou a uma situação de julgamento e pena de prisão efectiva como esta.

Uma das testemunhas, Virgílio Machado, professor universitário, descreveu Carvalho Jesus como “uma pessoa boa, com sentimentos dignos, próprios, uma pessoa de bem”.

 

A próxima data de audiência é dia 27, pelas 14h, no Campus de Justiça, à qual se seguirá provavelmente uma data para a leitura da sentença. O Grupo de Apoio a Carvalho Jesus, no Facebook, tem vários apoios dirigidos ao arguido nos últimos meses.

 

É esta “pessoa boa” que poderá ter uma pela de quase dez anos de prisão. Tudo porque, durante uns segundos, interrompeu os trabalhos da Assembleia da República.

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