Este é um testemunho em primeira mão de N. A., 22 anos, que foi acusado de partir um vidro do carro da PSP, acção que nega.

No dia 15 de Outubro vários colectivos e movimentos cívicos organizaram uma manifestação denominada “Cerco ao Parlamento”, no decorrer da entrega do Orçamento de Estado de 2013 que gerou grande polémica social e mediática e que levou o país a mais um grave clima de austeridade.

 

Cerco ao Parlamento: manifestante acusado de partir um vidro acaba espancado pela PSP

 

O relato começa em frente á Assembleia quando o acusaram de “terem visto pegar numa pedra da calçada e ter partido o vidro duma das viaturas da policia” coisa que N. A. garante não ter feito. Outra das acusações prende-se com o “ter oferecido resistência à polícia” quando na verdade conta ter “policias em cima de mim, estava de barriga para o chão, com as mãos atrás das costas, e a ser pontapeado por um terceiro agente”.

O resultado? Soube da acusação apenas no dia seguinte. Conta-nos que “ soube apenas da acusação a que fui sujeito perto das 14h no Tribunal de Pequena Instancia” e aparentemente é algo normal, afirma, “Perguntei a esse mesmo funcionário se era normal, saber da acusação apenas no tribunal e quase 12 horas depois de eu ter sido detido, ao que me respondeu que a policia não tinha obrigação de me dizer do que eu era acusado. O que eu estranhei, porque uma vez que eu tinha direito de levar testemunhas, teria de saber de que se tratava a acusação para poder montar uma defesa. Fui informado, assim que recusei a proposta feita pelo M.P. , que tinha direito ao acompanhamento de um advogado no meu julgamento. O julgamento ocorreu já perto das 19h, altura essa em que me foi dado um advogado. Eu estava no tribunal desde as 10h.”.

Demoras processuais, ocultação do motivo da acusação e outros “pequenos” incidentes deram lugar a este testemunho, que foi admitido nesse mesmo dia 15 no Hospital. N. A. também estranha a forma como deu entrada no Hospital: “No papel do hospital, a causa de admissão diz: acidente pessoal/queda. Ainda no hospital perguntei ao medico que me acompanhou se nao era um equivoco aquela descrição da causa de admissão, ao que me respondeu que era apenas aquilo que podiam meter.”

 

As marcas falam por si

N. A. disponibilizou ao Tugaleaks algumas fotos que mostram olhos negros e lesões um pouco por todo o corpo. Não tem neste momento acesso ao relatório do hospital. Apenas terá, segundo fontes que ele contactou, se apresentar uma queixa contra a PSP, algo que ele ainda está a considerar.
Confessa que “juntei-me a multidão já exaltada“ na Assembleia, mas, mesmo que tivesse sido violento ou mesmo arremessado qualquer objecto, nada fazia prever estas marcas que estão no nosso Facebook

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Há que fazer algo

É por todas estas pessoas que sofreram ao longo de mais de um ano de uso de força excessiva pelos agentes que deviam zelar pelo direito de manifestação daqueles que o fazem e retirar grupos que façam desacate em manifestações não incidindo com cargas policiais contra manifestantes que não são violentos, que o Tugaleaks organiza hoje um protesto anti-repressão policial, no primeiro quarteirão da Av. da República (lado Saldanha) em Lisboa. Solicita-se a comparência de todos para darem voz a este problema crescente da nossa sociedade.

 

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