Desviou mobília doada pela Câmara Municipal do Crato para o Posto Territorial da mesma localidade. Foi promovido a Coronel e assume funções como Chefe de Estado Maior no dia de hoje.

O Posto Territorial do Crato recebeu da Câmara Municipal do Crato uma doação de alguns bens no primeiro semestre de 2014. Mas, quando receberam mobília de quarto, sofás, um LCD, ar condicionado, uma salamandra e sete quadros de madeira, nada fazia prever que a mobília iria desaparecer.

A situação ocorreu durante o primeiro semestre de 2014 e no dia 27 de Junho de 2014 foi lavrado pelo Vereador João Farinha e que aqui disponibilizamos.

Neste mesmo documento pode ler-se que o mobiliário entregue é propriedade do da Câmara Municipal, assim como as instalações onde se encontra o posto territorial.

De acordo com uma carta anónima recebida em várias associações sindicais a que o Tugaleaks teve acesso, bem como a outras informações incluindo processos internos da Guarda, um certo dia o Sargento responsável pelo posto recebeu um telefonema do, na altura Tenente Coronel Mário Monteiro e hoje Coronel, a indicar que iria levar a mobília.
Perante a perplexidade do Sargento, foi indicado ao mesmo por telefone que “o comandante gere os meios humanos e materiais” e decidiu por isso levar tudo o que a Câmara Municipal lá tinha deixado. Ao que tudo indica a mobília foi levada para a residência profissional do militar.

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Coronel Mário Monteiro 

 

A situação foi conhecida em Portalegre pelos meandros da Guarda e existem relatos de militares que transportaram a mobília e que efectivamente a carregaram, bem como, no dia em que a Inspecção da Guarda foi confirmar a situação, a transportaram para outro local para evitar descobrirem a situação.

O então Sargento que Comandava o Posto Territorial do Crato que esteve contra a situação foi forçado pelos seus superiores a pedir uma transferência e foi para o seu lugar a Sargento Gonçalves no dia 1 de Agosto.

Mês e meio depois verificou que faltava a referida mobília e dirigiu um ofício à Câmara Municipal. Apercebendo-se posteriormente onde a mobília estava, já depois de ter enviado o ofício, dirigiu uma comunicação à mesma instituição. Neste mesmo ofício pode ler-se, pelo punho da Sargento Gonçalves, “que caso fosse possível, não ficasse registado”, o comunicado enviado.
Porque razão não deve este comunicado ficar registado?

 

 

Carta anónima arrasa Comando de Portalegre

Na carta anónima obtida pelo Tugaleaks, questiona-se o seu emissor como se pode “andar na rua de cabeça erguida, como é que vamos caso seja necessário autuar ou agir perante os funcionários e responsáveis da autarquia”. Encena o autor da carta uma situação onde diz que “já estou a ouvir, o vosso Comandante até roubou a Camara (…) tudo isto é vergonhoso”.

 

Sindicado pede que se apurem responsabilidades

César Nogueira, presidente da APG, um dos sindicatos que recebeu esta carta anónima confirma que “recebemos uma denúncia anônima sobre a referida situação, primeiro por carta em 9 de setembro de 2014 e depois um email a 7 de outubro de 2014”.
A APG “pediu uma audiência de carácter urgente ao Comandante Geral para falar de várias questões que preocupam os profissionais da GNR bem como de outros assuntos, onde se incluía este (…) não tendo até à data acontecido essa reunião”.
Embora desconheça a veracidade dos factos, César Nogueira em nome da APG/GNR pede que “o Comando Geral averigue e apure responsabilidades, se as houver, pois não pode ficar no ar um clima de suspeição sobre a instituição GNR, que em nada beneficia para a boa imagem da mesma”.

Contactada a Câmara Municipal do Crato para obter informações sobre se o referido documento deu entrada no município e se foi dada uma resposta, o Gabinete de Comunicação remeteu-se ao silêncio.

A GNR por sua vez indicou no dia de ontem que iria dar “resposta ao solicitado no prazo de dez dias”.

O Tugaleaks sabe que o Comandante-Geral da GNR estará hoje em Portalegre para a cerimónia onde o Coronel Mário Monteiro irá sair do Comando de Portalegre para ser assumir as funções de Chefe de Estado Maior da Unidade de Intervenção da GNR, uma das mais importantes do país.
Esperam os militares que este aproveite a viagem e verifique as circunstâncias deste caso que mais uma vez traz à GNR um mau nome e ao mesmo tempo uma esperança de justiça que quiçá poderá perdurar no futuro.

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