O Tugaleaks é um órgão de comunicação social social verdadeiramente independente. Não temos qualquer publicidade no site. Consulta aqui o nosso relatório de transparência mensal.

Envia a tua denúncia anónima aqui

O programa INALENTEJO do QREN aprovou para uma verba avultada para a recuperação de uma praça de touros. A praça não pertence à Câmara.

As obras foram “financiadas pelo INALENTEJO, no âmbito do QREN, a uma taxa de 85% do valor total de investimento (1.788.443,13€)”, indicou o Presidente da Câmara Municipal. Mas, o problema é que a praça de touros não pertence à Câmara Municipal. Este é apenas o valor da obra, sendo que nele não está incluída a manutenção.
A mesma foi cedida à Câmara Municipal, por um período de 25 anos, pelo Centro de Bem-Estar Social de Estremoz.

 

QREN financia dois milhões de euros para recuperação de Praça de Touros em EstremozImagem: Sol e Sombra

 

Estes fundos comunitários foram aprovados porque, numa das actas entendem-se que “terá que constar na candidatura que o espaço não poderá ser apenas utilizado como Praça de Touros, terá que ter outras valências e que quem desenvolver o projecto terá que introduzir pelo menos um palco, mesmo que seja amovível, para se poderem realizar espectáculos ou outros eventos, para que a candidatura seja mais facilmente aprovada” (página 29). Nessa mesma acta foi colocada a hipótese de dar acesso a privados para a exploração do espaço . No entanto, o Presidente da Câmara Municipal esclareceu ao Tugaleaks que “Não está prevista qualquer concessão da Praça de Toiros a privados. A gestão do equipamento será da responsabilidade do Município de Estremoz.”.

E tinha razão a deliberação da acta de 2010 porque, dois anos mais tarde, a eurodeputada Ana Miranda questionou o Parlamento Europeu sobre esta mesma questão, colocando a hipótese de se estar a financiar a longo prazo os eventos tauromáquicos. A resposta diz respeitar a cultura dos estados membros.

 

Entretanto e paralelamente a isso, a Câmara Municipal pediu empréstimos para pagar dívidas, conforme anuncia o Elvas.com.pt, que indica, citamos, a “contração de um empréstimo, pelo período de 14 anos, cujo valor vai resultar da decisão da Comissão de Análise do PAEL e que se situará entre 50 a 90 por cento do montante de 3.011.925,65 euros”

Numa das votações o Vereador António Carvalho insurgiu-se pois “os gastos que vão ser consignados aos projectos apresentados nos pontos 4 e 5 da ordem do dia são muito volumosos, entendendo que no exercício da democracia e de uma forma tolerante, que quem dirige os destinos da autarquia só tem a ganhar com os contributos pertinentes que as pessoas possam dar”. Saiu da sala antes da votação, que foi aprovada por maioria.

Embora o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz tenha garantido que “irão também decorrer eventos culturais, desportivos e económicos” e que “[p]ode até acontecer que o número de eventos desta natureza seja superior ao número de espetáculos tauromáquicos“, o programa do Governo O Meu Movimento, que já vai na sua segunda edição, teve sempre em mente o fim dos dinheiros públicos para os eventos tauromáquicos.

Ao que parece, os dinheiros Europeus já é outra história diferente.

 

E o leitor, o que acha deste investimento?

Comentários

4 Comments

  1. Quem depois paga são os poucos que ainda vão nascendo em Portugal .

    Basta verem no site onde foram nos últimos tempos empregues fundos e percebem que estão a ir parar a famílias privadas que depois dão a utilizar a só alguns .

    Uma quantidade de euros empregues em albergarias , hotéis de luxo , fábricas falidas e outras empresas que se não fosse isso já cá não estavam ,

    Continua-se a espalhar euros direto aos mesmos , tipo quinta , quando faz falta camas nos hospitais e outras tantas em lares de 3ª idade .

    Continua-se a construir para alguns e depois ninguem vai ver no sítio se realmente a obra foi feita por esse valor … etc .

    O dinheiro do QREN se tivesse sido distribuído a famílias com fome certo que não havia pobres em Portugal .

    Muitos estão a renascer e aparecem mais ricos em Portugal .

  2. Acho que se direcionam dinheiros públicos para promover uma actividade pouco digna como a tauromaquia, que entretém e satisfaz uns quantos sádicos, a crise já acabou. Os hospitais estão devidamente equipados, as escolas estão impecáveis, não há familias carenciadas, não há sem abrigos, os idosos vivem maravilhosamente, então os Doutores que mandam nisto tudo optaram por gastá-lo numa praça de touros. Mas foi só porque não lhes ocorreu nenhum outro sitio onde o gastar. Caso contrário estariam com as prioridades baralhadas.

  3. Recuperar uma Praça com dinheiros públicos que não pertence à camara? Mais dívidas encima de nós? Estou em querer que esse dinheiro vai ser empregue para outros fins. Mas vamos estar atentos aos resoltados. Vão ter que apresentar faturas ao cêntimo de como esse dinheiro foi gasto, é assim que as finanças nos exige quando apresentamos contas. Não podemos continuar a deixar passar situações incorretas como anteriormente deixamos cometer. Vamos estar mais atentos. Tudo isto para que os nossos vindouros não paguem pelos nossos erros.

  4. O Estado esse Grande PATRÃO
    Os empregados do Estado em Portugal existem fundamentalmente para melhor enganar, aldrabar, vigarizar, desviar e roubar o próprio PATRÃO (Estado) em completa legalidade, impunidade e imunidade pois há que precisar que tudo na Constituição Portuguesa (a fazer passar por deficiente mental o maior dos vigaristas) se encontra reunido de uma forma magistral e exemplar para favorecer, beneficiar e proteger em exclusivo os empregados do Estado e em nada o PATRÃO.
    Os empregados do Estado são todos aqueles que recebem uma remuneração em troca de um suposto ”trabalho” na chamada função pública. Ex. : Presidente da Répública, Primeiro Ministro, Ministros, Parlamentares, Secretários, câmaras, juntas, finanças, militares e etc., etc., etc., etc., etc.
    O engraçado e mais estranho e estúpido nisto tudo é que o PATRÃO (Estado) é o próprio POVO que não tem poder absolutamente algum nas decisões da Répública e nunca terão porque a Constituição assim não o permite ao contrário do poder absoluto dos Políticos que mandam de mão de tiranos e cara de Anjos.
    Impossivel de se encontrar PATRÃO mais condescendente, generoso, cego e ignorante.
    Também por isso é que nunca houve não há e nunca haverá melhor ”emprego” que o de ser empregado do POVO (Estado).
    CONCLUSÃO : Temos que acabar completamente e radicalmente com a Constituição Portuguesa e criar uma nova Répública de raíz ou adoptar um sistema político estrangeiro que se saiba funcionar.
    ASSINADO : Aremando Zarpantário…

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *