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Foram doze horas à espera de ser atendida. Não houve soro ou medicamentos, embora tenham sido pedidos. Acabou por falecer “por desidratação”, segundo os médicos.

A idosa deu entrada pouco depois das 11h30 do dia 31 de Janeiro de 2015 no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, mais conhecido como Hospital Amadora-Sintra. Foi-lhe atribuida a pulseira verde. A idosa tinha demência e foi levada ao hospital quando ficou sem comer durante dois dias e porque apresentava escaras.

Enquanto a tarde passava, outros acompanhantes de doentes desmaiavam e a ajuda era nula a estes e aos doentes.
Durante as 12 horas em que os familiares estiveram à espera o estado de saúde da idosa foi-se agravando, com olhos vermelhos e tonturas.
Foi solicitado Ben-U-Ron a uma médica o qual foi negado, “não vamos dar medicamento nenhum”. Soro nem vê-lo.

 

Doze horas depois…

Chamaram a doente com pulseira verde por volta das 00:20 e nessa altura um médico olhou para a doente e disse “boa noite D. Maria”, sem resposta. Ele levantou-lhe uma perna e ela não se queixou e, conta-nos a neta da falecida, “por não se estar a queixar achamos estranho porque ela gritava por dores”.
O médico disse então que “ela não está nada bem, ela não está em condições de estar aqui”, “ela está falecida, acho que não vale a pena reanimar… vou falar com a equipa”.

À dor juntou-se a impotência em exprimir o sofrimento. Lá fora, nos corredores com outras pessoas, o choro era impossível, porque a mandavam calar.

Passado vinte minutos o médico voltou e disse-lhe “não te culpes, elas já estava muito frágil, mas olha ela faleceu com desidratação”, depois e estar sem soro durante doze horas.

Depois da uma da manhã, com a história no final mais infeliz que se possa pensar, uma médica acrescentou que “a culpa não é nossa”, algo que segundo a família foi dito de uma forma arrogante.

 

hospital-amadora-sintra

 

Estavam no Facebook?

Há alguns dias o Tugaleaks publicou que durante 8 horas não foi prestado atendimento a um doente Francês e que, quando se aperceberam da situação, verificaram que dois médicos estavam a ver vídeos no Facebook.

Do Hospital ou da Ordem dos Médicos ainda não houve qualquer resposta.

 

Psicóloga comenta situação

Paula Silva, psicóloga, disse ao Tugaleaks que “a dor de perder alguém que amamos é dos sentimentos mais fortes que podem existir, faz-nos sentir impotentes e, todo esse sofrimento, faz-nos procurar respostas a perguntas como o porquê e, para que as famílias encontrem alguma paz e para que situações semelhantes não se repitam, é importante apurar responsabilidades”.

Indicou ainda, em termos de apoio ás famílias enlutadas e “à imensos anos que esse apoio deveria estar assegurado para estas e muitas outras situações mas, se não existem recursos para contratar médicos, devemos alimentar a esperança de que se vão contratar psicólogos?”

 

O Tugaleaks sabe que a família enlutada já apresentou reclamação oficial no Hospital e que vai avançar com queixa cível em Tribunal.

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