O Tugaleaks foi descobrir um jovem de 23 anos que se vai candidatar a uma Câmara Municipal. Quisemos saber mais sobre as novas “energias” políticas.

João Curvêlo vai candidatar-se à Câmara Municipal de Odivelas. Com apenas 5 anos de participação política num partido (Bloco de Esquerda) assume com uma tenra idade aquilo que muitos assumem há décadas e perpetuam. Este é um exemplo de um jovem político da geração do pós-25 de Abril.

 

Os jovens políticos podem mudar a forma de fazer política?

 

Que idade tem e quando se iniciou na política?

Tenho 23 anos. Não é fácil identificar o momento exato em que se começa a fazer política. Lembro-me, ainda na escola secundária, de discutir a intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque ou a legalização das drogas leves. Mas a primeira experiência política mais consolidada foi em 2007, na campanha pela despenalização do aborto. Eu não pude votar na altura, porque não tinha idade, mas fiz a campanha toda. Essa foi uma experiência que me ensinou muito: aprendi a debater num contexto de grande polarização, percebi que é possível juntar forças em torno de cada combate concreto. E aprendi que essa convergência só nos faz mais fortes.

 

Considera que na política tem que haver uma renovação, tanto de idades como da forma como ela se faz?

Nós precisamos de uma renovação na política que nos governa. Eu nasci quinze anos depois do 25 de Abril, ou seja, devo às gerações dos meus pais e dos meus avós o facto de ter crescido em democracia. Mas para haver democracia plena não basta o direito ao voto de quatro em quatro anos, é preciso garantir uma série de direitos sociais. Um fator que marca a minha geração é a evidência da falência do rotativismo ao centro: o país é governado há mais de três décadas por dois partidos, PS e PSD, aos quais se junta pontualmente o CDS. Hoje é evidente que este rotativismo não tem nenhuma resposta para a urgência da crise. É preciso criar uma alternativa, e essa alternativa só constrói de baixo para cima: com as vítimas da crise, com os imigrantes sem direitos, com os desempregados, com os precários, com os mais novos e com os mais velhos.

 

Qual foi o seu percurso político antes de chegar a candidato?

Como dizia, a primeira experiência política que tive foi na campanha pela despenalização do aborto. Depois, estive envolvido no movimento estudantil e em algumas lutas contra a discriminação. Inscrevi-me no Bloco de Esquerda pouco depois, no início de 2008, porque senti que tinha aqui um espaço coerente e aberto, de gente que faz política por convicção e que empresta tudo o que sabe a cada combate. E se na altura achei que a organização colectiva era importante, hoje tenho a certeza de que é imprescindível.

 

Considera que as autarquias são importantes para o cidadão em que sentido?

De todas as instituições políticas, as autarquias locais são aquelas que prestam – ou deveriam prestar – um apoio mais direto às pessoas. Posso dar dois exemplos. Seria muito importante, num contexto de crise, que se generalizassem programas sociais de apoio às vítimas da austeridade. E, em segundo lugar, seria importante que as autarquias fossem irredutíveis na defesa do que tem que ser de todos: da saúde, da educação, do direito ao espaço público e à mobilidade, da água pública. O que faz a diferença na
política autárquica é precisamente a coragem de fazer escolhas. Quem governa para os interesses privados, não governa para as pessoas. E quem diz que governa para os dois, está a mentir a alguém.

 

Frequentemente ouvem-se críticas de que “são todos iguais”, como pode um político neste clima de desconfiança e austeridade, mudar a mentalidade das pessoas?

É isso mesmo: para combater a desconfiança é preciso ter uma posição clara sobre a austeridade. Não há uma “austeridade má” e uma “austeridade boazinha”. Há escolhas que se fazem. O Bloco de Esquerda votou contra todos os programas de austeridade e todos os orçamentos de cortes sociais. E apresentámos sempre alternativas. É a urgência deste tempo que nos exige isso. Na política autárquica é precisamente a mesma coisa. Um autarca de esquerda tem que ser tudo isso: incorruptível, combativo e leal às suas ideias.

 

O João não é o único jovem na política.
Já na Junta de Freguesia de Pinhal Novo existe uma candidatura, esta não de esquerda mas sim do PS, liderada por Pedro Ferreira com 27 anos.

Os políticos jovens estão a começar a aparecer e a quebrar o ciclo de rotatividade dos “dinossauros” políticos. Será este o futuro da nossa geração?

Comentários

4 Comments

  1. Tudo bem os jovens devem tomar conta de Camaras e até mesmo do país, talvez a corrupção deixasse de existir com tanta frequência, mas neste case e o factyo de ser político, sejs de direita ou de esquerda, sou totalmente contra, a política é porca, nojenta e mentiroso. Jovens a presidente de Camaras sim, mas independentes e apartidários. Tudo e todos que estejam ligados seja a que partido for eu nunca apoiarei.

  2. O Estado esse Grande PATRÃO
    Os empregados do Estado em Portugal existem fundamentalmente para melhor enganar, aldrabar, vigarizar, desviar e roubar o próprio PATRÃO (Estado) em completa legalidade, impunidade e imunidade pois há que precisar que tudo na Constituição Portuguesa (a fazer passar por deficiente mental o maior dos vigaristas) se encontra reunido de uma forma magistral e exemplar para favorecer, beneficiar e proteger em exclusivo os empregados do Estado e em nada o PATRÃO.
    Os empregados do Estado são todos aqueles que recebem uma remuneração em troca de um suposto ”trabalho” na chamada função pública. Ex. : Presidente da Répública, Primeiro Ministro, Ministros, Parlamentares, Secretários, câmaras, juntas, finanças, militares e etc., etc., etc., etc., etc.
    O engraçado e mais estranho e estúpido nisto tudo é que o PATRÃO (Estado) é o próprio POVO que não tem poder absolutamente algum nas decisões da Répública e nunca terá porque a Constituição assim não o permite ao contrário do poder absoluto dos Políticos que mandam de mão de tiranos e cara de Anjos.
    Impossivel de se encontrar PATRÃO mais condescendente, generoso, ignorante e cego.
    Também por isso é que nunca houve não há e nunca haverá melhor ”emprego” que o de ser empregado do POVO (Estado).
    CONCLUSÃO : Temos que acabar completamente e radicalmente com a Constituição Portuguesa e criar uma nova Répública de raíz ou adoptar um sistema político estrangeiro que se saiba funcionar.
    ASSINADO : Aremando Zarpa

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