No Destacamento de Trânsito de Carcavelos trabalham vários militares da GNR. Além disso, existem outras pessoas com acesso às instalações, como o pessoal da Brisa e os serviços externos habituais como o pessoal de limpeza do local.

Mas, parece ter sido só aos militares da GNR que o Comandante do Destacamento, João Garcia, se dirigiu.

Num e-mail a que o Tugaleaks teve acesso, João Garcia diz que “desde a minha tomada de posse como vosso comandante que me tenho deparado com situações que, nos anos que levo de Guarda e pelas Unidades e Subunidades por onde prestei serviço, julgava não ser possíveis no seio de uma corporação composta de militares”, lamentando que “têm sido por demais os episódios de ‘desaparecimentos’ neste Destacamento, que vão desde artigos pessoais de menor ou maior valor, a equipamento e material de trabalho ou mobiliário pertenças da Guarda ou da Brisa…”

O Comandante indica,  “a título de exemplo”, alguns materiais:

  • Champôs;
  • Peças de fardamento (pólos, botas…);
  • Óculos graduados;
  • Malas de viagem;
  • Refletores de motociclo;
  • Chaves do aquartelamento;
  • Cadeiras;
  • Pen de ligação à RNSI;
  • Cabos de ligação USB;
  • Baterias de rádio;
  • Etc.

 

A GNR, contactada pelo Tugaleaks, nada respondeu. No entanto, fontes dentro da instituição garantiram que nunca existiu qualquer participação, ou, a existir, nunca os militares foram oficialmente questionados sobre os desaparecimentos.

Como pode um Comandante, com conhecimento de “desaparecimentos” ou roubos, não os comunicar à hierarquia para sua investigação?

 

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Deu a “sentença” mas foi por pouco tempo

Dias depois de enviar este e-mail, e por ter indicado que “não serão autorizadas quaisquer trocas de serviço nem dispensas” por causa da situação, voltou com a sua palavra atrás.
As dispensas e trocas foram permitidas.

Uma atitude que é considerada indesejável por alguns membros do Destacamento de Trânsito que afirmam que o João Garcia “não percebe nada de trânsito”.

 

O Tugaleaks recorda que a anterior Comandante do Destacamento, Cláudia Santos, tentou com o seu ex companheiro tramar um militar, tendo autorizado o uso de um carro de patrulha para transporte de um Tenente Coronel e a sua esposa, entre outras situações.

 

Como pode haver desaparecimento de material, comprado com o dinheiro dos Portugueses, sem que este seja devidamente investigado? Como pode um e-mail com um tom ameaçador dirigido aos militares passar impune? Foram questões às quais o Tugaleaks procurou resposta, mas sem sucesso.

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