Deixou esposa com duas gémeas ainda bebés. Podia ser mais um caso de descuido nas estradas Portuguesas, mas é outra história bastante diferente.

A notícia foi dada pelo CM no dia 25 de Janeiro: Choque frontal causa um morto, apontando para “uma manobra perigosa aliada a velocidade excessiva”. O Tugaleaks conta outra história, porque “ele não era pessoa de fazer ultrapassagens ou algo do género”, garantem fontes próximas do visado.

José Cristino trabalhava na Prosegur há cerca de uma década. Na vigilância é permitido trabalhar até 12 horas se existir acordo assinado entre os trabalhadores ou dez horas se um outro colega falhar (esperando duas horas além das horas normais). A realidade é outra: práticas recorrentes de desrespeito pelos trabalhadores, ameaçados muitas vezes para fazerem cada vez mais horas.

José trabalhou no Campus de Justiça entre as 06:00 e as 14:00 do dia 22 de Janeiro, tendo depois estado no dia 23 das 00:00 até 07:00 no Mc Donald’s de Oeiras para onde seguiu até ao Estádio da Luz fazendo no mesmo dia 23 serviço de ARD (Assistente de Recintos Desportivos) das 08:00 até 22:00 tendo ainda seguindo para mais um serviço no Mc Donald’s Oeiras das 00:00 até 07:00 dia 24. Na prática em três dias fez quase dois de trabalho.

Foi rendido mais cedo, pouco antes das 7 da manhã do fatal dia 24. A caminho de casa, faleceu.

“Tudo leva a crer que ele foi quem adormeceu ao volante” lembram-nos fontes próximas, indicando ainda que José Cristino era um bom condutor.

De acordo com informações publicadas na rede social Facebook, “a Prosegur terá solicitado à esposa que não menciona-se a ninguém a carga horária do mesmo, a preocupação dos mesmos era tal que mandaram um supervisor ao local do acidente para averiguar a situação e possivelmente abafar o caso

 

 

DENUNCIA EM HONRA DE JOSE CRISTINOJosé Carlos Cristino, era conhecido entre os colegas como alguém sempre desconfiado,…

Posted by Anonymous PORTUGAL on Tuesday, January 26, 2016

 

Prosegur não desmente

Questionada sobre a carga horária e os contactos com a esposa do visado, a empresa não teceu qualquer comentário. Respondeu apenas, em press release, que “lamenta profundamente a morte do seu colaborador (…) na sequência de um acidente rodoviário, no seu regresso a casa, na região do Seixal” e que tem “mantido contacto permanente e directo, no sentido de prestar-lhes [aos colegas] todo o apoio necessário neste difícil momento”.

O Tugaleaks sabe que este não é caso único e que dentro da empresa quem reclama é muitas  vezes alterado de cliente (empresa a quem prestam serviço de vigilância) não a pedido do cliente mas como forma de pressão pela empresa.

A ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho foi também contactada, não tendo sido obtida qualquer resposta.

Comentários

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Ver
Esconder