Para encobrir o facto de terem um agente num estabelecimento nocturno a beber em serviço, agentes implicaram com o cidadão quando este tirava uma foto ao carro da PSP.

Madrugada de 1 de Março, junto a uma zona de bares no Cacém. Uma noite como outra qualquer, ou assim pensava este cidadão… Mas, quando a PSP o interceptou e lhe pediu para apagar a foto que tinha tirado com o iPhone, eles não sabiam que era um jornalista.

Carlos Tomás é jornalista e escritor, foi director do Jornal O Crime e tem vários anos de experiência na área de investigação e foi “sequestrado”, segundo contou ao Tugaleaks, por agentes da esquadra do Cacém da PSP durante cerca de três horas.

Pelas três da manhã da madrugada de 1 para 2 de Março e o jornalista avistou um carro mal estacionado. Pensando que era uma rusga, e como é um jornalista dedicado á criminalidade, decidiu entrar no bar. Conta no Facebook que “falei com uma das alternadeiras e ela disse-me que os polícias da esquadra do Cacém são clientes assíduos daquele espaço, que vão lá beber uns copos e “conviver” com as meninas. Quando saí do bar fotografei o carro da PSP mal estacionado.”

Foi apanhado em pleno ato fotográfico. Três agentes abordaram-no, num outro carro que vinha a passar e que era da Escola Segura porque, dizem os agentes, “não temos viaturas suficientes e temos de usar esta”.
Seguidamente, contou-nos o jornalista, “um dos agentes tirou-me o telemóvel e encostou-me contra o carro, procedendo a uma revista, isto apesar de me ter identificado e não ter cometido qualquer crime. Depois mostrei a minha carteira profissional e as coisas acalmaram”.
Continua a relatar a situação, dizendo que “exigi a devolução do telemóvel, o que foi feito, mas o agente insistiu que tinha de apagar as fotografias com o carro patrulha da Escola Segura”.

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Enganou a PSP

O Jornalista foi obrigado a apagar as fotos que tinha no telemóvel. Se já para um cidadão isto seria extremamente abusivo, para um jornalista estamos perante um crime grave.
No entanto, a foto já tinha sido enviada para uma Cloud e foi possível a sua recuperação. Os agentes da PSP no local não souberam deste facto.

 

Durante a madrugada, “o agente da PSP inseriu, de forma abusiva, porque eu não tinha praticado qualquer crime, os meus dados no novo sistema que têm de comunicações e apareceu lá um processo que tenho desde 2006 e que já se encontra prescrito há vários anos, relacionado com uma infracção de trânsito”. Conta ainda que “sujeito às intempéries, como se de um assassino se tratasse. Com frio, os agentes decidiram meter-me no carro da Escola Segura e levaram-me para a esquadra do Cacém. De nada valeu identificar-me como jornalista, explicar que o caso estava prescrito, que tenho imensos processos em tribunal por força da minha profissão, e que só queria ir para casa descansar porque às 07h00 tinha de me levantar para ir fazer uma reportagem para o Notícias de Cascais. Fiquei nesta lenga-lenga até depois das 06h00. Escusado será dizer que não dormi nada e fiz uma directa.

 

Brincadeira dos agentes da PSP vai sair-lhes cara

Segundo informações obtidas pelo Tugaleaks junto de fonte oficial da PSP, “existindo a possibilidade de poder estar em causa atos tipificados como crime praticados por polícias, decidiu a PSP dar conta destes fatos ao Ministério Público para análise e promoção das medidas subsequentes que verificar convenientes“. O Tugaleaks sabe ainda que foi aberto uma investigação interna, paralelamente à comunicação ao Ministério Público, e que existem vários agentes da esquadra do Cacém indiciados pela prática de crimes.

 

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E se fosse um cidadão?

“Eu acho que se fosse um cidadão normal que não se identificasse como jornalista, que tinha levado um enxerto de porrada, tinha ficado sem telemóvel e não tinha sido tratado com tanta brandura“, conta Carlos Tomas que diz que “eles só começaram a ser brandos quando eu mostrei a carteira profissional de jornalista”. “Tinha enfardado e ficava sem telemóvel“, conclui o jornalista, com ar sério.

Além de toda esta situação, o jornalista diz que “tenho informação de actos ilícitos praticados na 66º esquadra [esquadra do Cacém] que irei divulgar brevemente”.

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