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Estimo que cerca de 30% do eleitorado na maioria dos países da Europa Ocidental existe uma massa eleitoral, não abstencionista, muito crítica dos ditos “partidos de Sistema” ou Situacionistas e que encontrou no Syriza, na Grécia, e no Podemos, em Espanha canais de expressão deste descontentamento. Não acreditamos – ao contrário do que parece ser a convicção generalizada de muitos – que estes dois partidos encontraram as bases eleitorais para os seus sucessos nas urnas unicamente nas massas de contestatários que a dado momento encheram as ruas gregas e espanholas de “Indignados” ou das centenas de milhar de manifestantes que, a dado momento, encheram as ruas de Atenas. É verdade que alguns, decidiram – e bem – que a melhor foram de produzirem modificações reais e concretas seria a de fazerem esse trabalho social, cívico e político em partidos políticos, criando uns (como o Podemos, em Espanha ou o Cinco Estrelas, em Itália) ou incorporando outros (como a aliança Syriza ou juntando-se ao “Green Party” no Reino Unido, que numa sondagem recente colheu 48% das intenções de voto).

Ora 30% são suficientes para eleger um governo. Especialmente se os partidos Situacionistas perderem votos para a abstenção e se outros partidos não-situacionistas (isto é, que habitualmente não viabilizam governos dos partidos Situacionistas) acabarem viabilizando governos destes novos partidos. O problema é que estes governos, eleitos em protesto contra a partidocracia, a corrupção e a permeabilidade aos “Interesses” frequentemente defraudam os seus eleitores. Isto observou-se mais recentemente em França, com Hollande e, sobretudo, com Obama, com o seu “We Can” direccionado contra as grandes corporações multinacionais seria porventura a maior desilusão política das últimas décadas. As razões para este abismo entre a Palavra das campanhas eleitorais e a Ação do exercício governamental são múltiplas e minam profundamente a credibilidade das democracias e a confiança dos eleitores nos partidos políticos. Esta (merecida) perda de confiança explica a fragilidade eleitoral do PSF francês, a quase evaporação do PASOK grego (4,68% nas Legislativas de 2015) e a estagnação do PSOE espanhol (entre os 25% e os 27%)

 

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Estes “Partidos de Protesto” podem assim conseguir, marginalmente, os votos suficientes para formar Governo. Mas é mais provável que, como sucedeu na Grécia com o Syriza, tenham que procurar alianças parlamentares para estabelecerem um Governo sólido, garantindo assim a percentagem adicional de votos que lhes dá essa margem de conforto. E esta margem pode revelar-se crucial nos combates que qualquer partido reformista tem que travar no Poder. Desde logo, vai enfrentar a oposição dos Interesses instalados no Estado e na Economia. Depois, terá que enfrentar o natural imobilismo dos burocratas e todos os obstáculos que promovem o “Status Quo” na União Europeia. Perante esta pressão cruzada, pode haver cedências. E estas cedências começam sempre – dias depois da tomada de poder – pelo “Discurso da Tanga”, em que o líder reformista começa a ceder e admite vocalmente que “a situação que encontrou é muito mais grave do que aquilo que esperava encontrar” e que, por isso, vai ter que suspender ou alterar o seu programa reformista…

Todos já vimos este filme a acontecer, mesmo à frente dos nossos olhos. E vamos tornar a ver. Por isso, não acredito em “partidos reformistas”. Acredito que a forma mais eficaz, aliás, que a única forma realmente eficaz de reformar o sistema e a democracia representativa actual passa precisamente pela reforma, a partir de dentro de um grande partido, de base nacional, organizado, com uma densa e extensa rede de militantes e com uma organização (aparelho) historicamente relevante. É possível mudar. Tornar um grande Partido Político num Partido Reformista e Reformado. Quebrar o poder imperial nele exercido pelo Aparelho e pela Juventude Partidária e assim, tornar um Partido Situacionista (imobilista e aparelhizado) num partido capaz de liderar o processo de conversão da Democracia Representativa numa Democracia realmente Participada e Participativa. Não será fácil, decerto… Mas é possível, assim o queiram um número suficiente de cidadãos e militantes dos actuais partidos políticos portugueses.

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